15 anos de Ok Computer – O disco de uma geração

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Conheci o Radiohead, três anos depois do lançamento de Ok Computer, através da indicação de um amigo, ouvi o trabalho numa loja de discos e cds no centro de Belém – Pará e só precisei de alguns segundos para me tornar um seguidor de cada passa do quinteto desde então. A cada audição, desvendava os meandros de uma obra que até hoje me parece de outro planeta ao mesmo tempo que profundamente urbana e atemporal.

No dia 16 de Junho de 1997 o Radiohead entrava definitivamente para o grupo das grandes bandas da história. Seu terceiro disco de estúdio revelaria um amadurecimento assustador, já mostrado no disco anterior The Bends (1995) mas que se tornaria um fato consumado aqui em Ok Computer (1997)

O disco ainda é um dos mais discutidos, amados, cultuados da nossa geração, seu diálogo genial de eletrônica com guitarras atmosféricas e ambientes futurísticamente urbanos com letras que versam sobre a alienação do homem moderno diante do avanço tecnológico ao mesmo que avança sua própria robotização como ser; é a base central da obra e um dos grandes temas da nossa época.

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Considerado para alguns o último grande clássico da história do rock, Ok Computer é o inicio e ao mesmo tempo o fim de uma fase para a banda, que nos discos posteriores, não abandonou as guitarras – como alegam alguns exaltados – mas sim reinventou a maneira que elas atuam nas canções, síntese disso são os dois discos Kid A e Amnesiac, respectivamente em 2000 e 2001 para comprovar. Na verdade, olhando de forma mais aguda esses discos foram um aprofundamento das temáticas propostas no Ok Computer mas musicalmente com forte referencia ao rock alemão dos anos 60 e a música Techno experimental do final dos anos 90 além da música erudita experimental e claro, ao jazz cabeçudo de Charles Mingus, Alice Coltrane e Miles Davis.

Porém Ok computer bebe de referencias como Can, Faust (bandas alemães de rock ácido e psicodélico) além da eletrônica vanguarda de Neu!, Kraftwerk e Dj Shadow, o pós-punk de Joy Division e o rock alternativo dos R.E.M, e das literaturas de George Orwell e Gibson, tudo isso processado de forma a reconstruir um som baseados em rock de forma a redefini-lo além das estruturas clássicas já pensadas e processa-lo ao âmago de sua singularidade sonora num disco que torna-se assim, padrão de excelência e produção, essa trazendo a genialidade de Nigel Gordrich, a sexta mente insana do grupo. 

“Meeting People Is Easy”  documentário produzido por Grant Gee durante a tour do disco, revelaria os bastidores ácidos de uma banda e sua inadequação com um sucesso que para eles foi surpreendente e repentino, o que provocou quase um colapso em Thom Yorke e a reinvenção da banda para além das fronteiras do rock anos depois.

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Ok Computer é um artefato que será; ainda a cada geração, redescoberto e revivido, um dos discos mais magistrais de todos os tempos, uma obra de arte da música moderna, um marco na discografia de uma banda ímpar e histórica.

Se você conheceu a banda nos anos 90 ou foi através desse clássico que você conheceu a banda, uma boa hora para plugar os fones e viajar mais uma vez nas camadas classudas de cada arranjo e se você ainda não conhece Ok Computer, uma boa hora, 15 anos depois de se chapar, ouvindo cultuadas 12 faixas dessa obra prima.

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