Radiohead – Clássicos Escondidos (Subterranean Homesick Alien)
Subterranean Homesick Alien
Disco: Ok Computer (1997)
Para começar as comemorações dos 15 anos do seminal Ok Computer (1997) a coluna Clássicos Escondidos vem falar de uma pérola irretocável desse disco.
Falar de qualquer obra clássica é uma tarefa delicada, delimitar parâmetros e discutir novas significações fazem parte da roda de reflexões que torna-se prazerosa com o passar dos anos e esse, certamente contribui para a perfeição de Ok Computer, um dos discos mais fundamentais da história do rock.
Fundamentado no homem, ser pensante e fazendo um paralelo com o avanço tecnológico da nossa época, num diálogo entre modernidade e existencialidade, há nesse disco canções que extrapolam o dizeres de clássicos e passam a ser tornar hinos de uma geração, mesmo que essa, se recuse a aceita-lós ou até a conhece-los (!!!), anti-hinos de uma geração anti si mesma.
Se na faixa anterior – simplesmente Paranoid Android, um dos maiores hinos da banda – Jonny Greewood já mostrava seu leque de psicodelismo transgressor numa linha ácida e pós-moderna de solos e delírios, em Subterranean Homesick Alien (título em homenagem a Bob Dylan) ele abandona os riffs inegavelmente andróides e abraça linhas alienígenas de dedilhados carregadas de efeitos saídos das dimensões além do espaço. Guiado pela esquizofrênica inadequação pós-mundo expressa magistralmente no vocal Thom Yorke; com sua letra que versa pela beleza pertubadora, de uma esperança de tempos melhores que parece que só poderia se concretizar em outro planeta, um pessimismo doentio para alguns mas que reflete o desejo de mudança para um mundo menos cinzento e caótico no presente.
Pouca vezes executada, pouco discutida, sedutoramente arrebatadora, a terceira faixa do seminal Ok Computer é daqueles momentos raros de uma inspiração transpirando os limiares de um arte em estado bruto, pianos que se esculpem como se diálogos fossem, as vezes diálogos alienigenas, as vezes herméticas linguagens intrísecas nas víscaras de uma sociedade em estado de desolação existencial, síntese do fim do século XX, a canção se transcreve em versos escritos por uma guitarra mágica e um vocal entorpecido, além de Phil, Colin , Ed como verdadeiras propulsões cósmicas, lúdicos em sua ânsia pela fuga, pelo recomeço, pela destroçamento do eu e a redescoberta do futuro, seja ele onde for.
Seja ele aonde for.
Numa impressionante performance em pouco mais de quatro minutos de uma banda rara e extraterrestre, numa das canções mais espaciais já criadas.
Um clássico absoluto.














