Radiohead Clássicos Escondidos: Life in a Glasshouse
Life in a Glasshouse
Álbum: Amnesiac (2001)
A fusão da exploração psicodélica de sons com forte cunho abstracionista – numa fase pós guitarras e pós estruturalismos - bases do Radiohead antes de Kid A, sobretudo por parte de Thom Yorke – e mais a visão jazzística de Humphrey Lyttelton; montaram uma das grandes pérolas dos anos 00, Life in a Glasshouse, última faixa do perturbador Amnesiac de 2001.
A tonalidade sombria revela uma letra que versa sobre alguém que vive sob forte olhares, mídias, monitoramentos, falta de privacidade, uma vida dissecada nos tablóides do mundo moderno. Essa estranha liberdade midiática esconde na verdade uma obscura prisão ao ar livre de uma sociedade sedenta pelo imediatismo. Para alguns, uma clara citação a rainha Elizabeth ll, para outros, uma reação a como a própria mídia tratou a banda com o estouro do disco Ok Computer, outras informações apontam para letra de Jonny Greenwood mas na verdade a canção foi escrita por Thom com arranjo de Jonny e finalização com a banda de Lyttelton – convidado por carta escrita por Jonny e esse acabou sendo o último trabalho do mestre jazzista.
Soando como uma verdade "big band", o quinteto retrabalha sua orientação roqueira em prol de um som genuinamente vindo dos mais classudos períodos do jazz, um som que nos leva às primeiras décadas do século XX, becos e turvas paisagens, com personagens cinzentos e esquinas sonolentas de pura esquizofrenia noturna, a citação sonora pode soar nostálgica mas ironicamente, se esculpe nos colos de uma sociedade atual, refém de seu próprio avanço material, algo, que não se traduz em evolução moral por exemplo e que parece ser a busca amnesiquiana de Thom Yorke em todo o disco.
Diferentes dos outros trabalhos da banda em sua sonoridade anos 90 e explorando as influências nobres de Alice Coltrane e Charles Mingus, o mítico encerramento do disco de 2001 é um transbordamentos dos mecanismos explorados a partir de 2000, o uso de pedais de efeitos em forte propulsão, órgãos, pianos, sintetizadores e uma vasta instrumentação (base de Life in a Glasshouse) que aprofundou as possibilidade sônicas da banda, unindo a vanguarda eletrônica com o jazz clássico mas sem soar falso ou meramente maneirista, fluindo assim uma das canções mais abstratas da discografia e onde a presença dos elementos de jazz foi a mais explorada até hoje pela banda.
Life in a Glasshouse foi executada apenas uma vez, no BBC Television Centre (Later... with Jools Holland Special) em 2001 com a presença do mestre Humphrey Lyttelton.
Ouça e perca-se entre trompetes e clarinetes, pianos, poesia, de uma das grandes obras primas do Radiohead. Um Petardo.














