Radiohead no Alive 2012: Uma espera que valeu a pena
Fotos de Conceição Pires
(Via Sol) Passaram dez anos desde o último concerto dos Radiohead em Portugal, mas, no último dia do festival Alive 2012, a banda liderada por Thom Yorke compensou a espera.
Sim, houve The Kills, Metronomy, Caribou, Maccabees, Kooks, Mazzy Star e portugueses como PAUS, Márcia e B Fachada. Mas, no último dia de Alive, eram os Radiohead que criavam maior expectativa. Afinal, tinham passado dez anos desde a última vinda da banda a Portugal.
Longe vão esses tempos e aqueles da primeira visita dos Radiohead a Portugal, em 1993, quando fizeram a primeira parte do concerto de James no Pavilhão do Belenenses. Eram, à data, uns quase desconhecidos com um grande sucesso, ‘Creep’. Quatro anos depois lançavam aquele que, para muitos melómanos, é o melhor álbum da história da música: Ok Computer.
Podiam ter seguido esse filão de ouro. Mas não, nunca estagnaram. Preferiram continuar a sua busca pela inovação, pela quebra dos convencionalismos. Abraçaram a electrónica e cruzaram-na com o rock. Radicalmente puseram de parte algumas canções do passado que, pura e simplesmente, deixaram de tocar. Porque a música, tal como a vida, é toda para diante. Claro que, para os mais desprevenidos e desatentos, pode ter havido um certo amargo de boca no concerto do Alive por não ouvirem alguns dos sucessos históricos da banda.
Thom Yorke não veio para conversar, depois de um breve “Boa Noite”, com sotaque abrasileirado e alguns “Obrigado”, só na recta final se dirigiu ao público para dizer que "dez anos é muito tempo - vamos tentar que da próxima vez não passe tanto tempo".
Mas, por vezes, não são necessárias conversas. A música basta. E se bastou! Durante duas horas de concerto, e perante uma enchente de 55 mil pessoas, a digressão do álbum The King of Limbs, trouxe um palco com um tremendo jogo de luzes e vídeos, onde permanentemente surgem todos os músicos (Thom Yorke, Jonny e Colin Greenwood, Ed O'Brien e Phil Selway), divididos pelas várias quadrículas, como que passando a mensagem de que, nos Radiohead, não há um líder, mas um colectivo. Ainda assim, é impossível ficar indiferente à figura intrigante de Thom Yorke, à sua intensidade e entrega.
O concerto começou às 22h30 em ponto com ‘Bloom’, seguido de ‘15 Step’ e ‘Morning Mr. Magpie’. Depois vieram momentos como ‘Weird Fishes/Arpeggi’, ‘Pyramid Song’, ‘I Might Be Wrong’, ‘Lotus Flower’, ‘There, There’ e, em formato mais intimista ao piano, ‘Nude’ e ‘Exit Music (for a Film)’. Por altura dos dois encores chegaram outros momentos marcantes, como ‘Lucky’, ‘Reckoner’, ‘Idioteque’ ou ‘Street Spirit (Fade Out)’ – que fechou o concerto. Antes, porém, numa épica viagem a 1997, ‘Paranoid Android’ levou o público à histeria. Só se espera que Thom Yorke cumpra a promessa e que não sejam necessários dez anos para voltarmos a ver os Radiohead em Portugal.
Dizer ainda que, na última noite de um Alive que fica para a história como o primeiro a passar o marco dos 150 mil visitantes (ao longo dos três dias), o organizador Álvaro Covões enfatizou ainda que, com cerca de 16 mil visitantes estrangeiros (que significaram 39 mil noites de hotel), foi a primeira vez que um evento de música trouxe mais estrangeiros a Portugal do que o futebol. O Optimus Alive regressa em 2013.














